Showing posts with label brazil. Show all posts
Showing posts with label brazil. Show all posts

Tuesday, September 23, 2008

Twitter under atack in Brazil

A post from Ladybug Brasil

September 9th, 2008 · 10 Comments

(...)

Everyone knows Brazil is new to democracy. This year, the justice department of election passed a law saying that the web is similar to tv and radio networks (wich are public concessions). But it isn’t. We maintain our sites and blogs with our own resources, sometimes with a crappy and expensive service wich should be overseen by government but isn’t. And its agency, Anatel, which supposedly was created to regulate the telecommunications is under attack from inside government, that is still frozen in time, with laws created TWENTY years ago, when telephones e cellphones were luxury articles, not available to everyone. This is the current scenario.

Today twitter, the most used micro blog here in Brazil is under attack. One of our elections sections, in Ceara, has ruled that a fake political profile should be taken down by the service.

(read the full story)

Tuesday, June 10, 2008

Registros .com.br atingem 70% de solicitações

No universo de domínios que existe no Brasil, sempre vai ter algum tipo de disputa. Frederico Neves, diretor de Serviços e Tecnologia do Registro.br.

O número de registros de site explodiu no Brasil depois da liberação, no último dia 1.º de maio, dos domínios .com.br para pessoas físicas. Números do Registro.br, entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI br ) e responsável pelo registro de domínios na internet brasileira, dão conta que, em maio, houve 70% mais solicitações do que nos meses de março e abril somados.

"O crescimento é basicamente atribuído à liberação do .com.br para pessoas físicas”, avalia o diretor de Serviços e Tecnologia do Registro.br, Frederico Neves. Segundo ele, a mudança não influenciou os novos registros de pessoas jurídicas, mas implicou numa pequena redução no número de registros concedidos a profissionais liberais, mostrando, assim, que estes preferem os domínios .com.br às terminações mais específicas, como a .adv.br eng.br ou med.br. Com o repentino aumento, o número de registros, no Brasil, alcançou a marca
de 1,3 milhão. O .com.br responde, hoje, por uma considerável maioria nesse total: cerca de 1,24 milhão, ou 92%. O fenômeno segue tendência mundial, mas é mais forte no Brasil. Nos domínios sem a terminação indicando o país, os finais .com, por exemplo, também são maioria, mas com pouco menos de 75% de incidência. A obtenção de um domínio desse tipo não exige, também, que o solicitante seja pessoa jurídica.
Requisitos A exigência de documentação específica para registros está cada vez menor também no Brasil. Antes, para registrar um domínio .com.br, era necessário informar um número do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas). O fato, porém, não impedia pessoas físicas de obterem um domínio com essa terminação
Muitas pessoas “emprestavam” números de CNPJ de empresas próprias ou de amigos, para poderem ter um site pessoal terminando com o .com.br. “Apenas checagens mínimas são observadas”, explica Neves. Uma das principais segundo ele, são os cadastros na Receita Federal, que devem ser válidos. A escolha dos endereços, portanto, acaba sendo livre, dependendo apenas de não haver nome idêntico, registrado anteriormente.
Com isso, as fraudes acabam sendo comuns. Neves dá alguns exemplos, como o identity theft, que ocorre quando alguém faz o cadastro com dados de terceiros. Neves diz que a preocupação maior do Registro.br é garantir que exista um responsável e que ele seja encontrado. Como a entidade não questiona se o endereço escolhido para um novo site tem alguma relação com o nome da pessoa ou empresa que o solicitou, conflitos acabam ocorrendo. A solução, no Brasil, acaba sendo ou acordo, ou a Justiça. “Quando há questionamento, cumprimos o desejo das partes ou a ordem judicial.”

Liberação

A decisão do Registro.br de liberar o domínio .com.br para pessoas físicas pode se ampliar para outros tipos de site. O comunicado que noticiou a liberação, em maio, já dizia que, inicialmente, somente aquele domínio estaria disponível nesta categoria genérica. Esta semana, um novo comunicado da entidade anunciou a liberação, a partir de 1.º de julho, dos finais am.br fm.br e tv.br, antes restritos a emissoras de rádio e TV, para qualquer pessoa jurídica. Com o fim da restrição, os únicos domínios restritos a atividades específicas serão o .coop.br (cooperativas), o .edu.br (instituições de ensino), o .gov.br (entidades governamentais), o .mil.br (entidades
militares), o .org.br, o .psi.br (provedores de internet) e o .net.br (empresas de comunicação multimídia, rede e circuito especializado ou detentoras de sistema autônomo conectado à internet). Liberação não deve aumentar “cibergrilagem” As disputas por nomes de sites não são mais como antigamente. Se antes, na época do “faroeste da internet”, pessoas registravam grandes quantidades de nomes para depois vendê-los com ágio exagerado a interessados hoje o regramento na área dos registros já está maduro. Os famosos cibergrileiros (ou cybersquatters, no original em inglês), não existem mais, na opinião de Frederico Neves, do Registro.br. Hoje, de acordo com Neves, situações mais complexas ocorrem: “há o reverse hijacking, por exemplo, que ocorre quando o domínio existe e um terceiro registra a marca sobre aquele nome”. A fraude, porém, só ocorre quando as empresas se preocupam em registrar um domínio e não tomam o cuidado de registrar a marca ao mesmo tempo. Apesar de no Brasil não haver estatística consolidada - a maioria dos casos estão espalhados nas justiças cíveis estaduais - dados mundiais comprovam que as brigas ainda acontecem bastante. Ano passado, a WIPO (World Intellectual Property Organization - Organização Mundial da Propriedade Intelectual), entidade responsável pela resolução de disputas de nomes de domínio, intermediou 2.156 disputas, contra 1.824 em 2006. A tendência de aumento continua este ano: esta semana, o site da entidade já contabilizava 969 casos.
O modelo de resolução das disputas usado internacionalmente - via arbitragem - acabou não ocorrendo no Brasil. Segundo Neves, a escolha do CGI.br de não repetir o modelo aqui teve dois motivos: “primeiro, que não existe tradição de arbitragem no modelo brasileiro, e segundo, porque o volume de reclamações judiciais é relativamente pequeno”. Mesmo o número sendo pequeno, as disputas são, de acordo com Neves,
relativamente comuns. “No universo de domínios que temos, sempre vai ter algum tipo de disputa”,
avalia. Na opinião dele, a liberação dos domínios .com.br para pessoas físicas não deve aumentar o número de casos de conflito de nomes no Brasil. “Só por este motivo, duvido que tenha algum incremento”, prevê. Segundo ele, a justiça cível tem resolvido os casos com certa agilidade e, quando as ordens judiciais chegam ao Registro.br, têm sido cumpridas em menos de 24 horas. “Além disso, a justiça tem observado as normas estabelecidas pelo CGI br”, completa. (HM)
Total de domínios por tipo no Brasil
1.240.578 92.20% COM.BR
33.447 2.49% ORG.BR
9.468 0.70% ADV.BR
7.663 0.57% IND.BR
3.834 0.28% ART.BR
Total de domínios por tipo no mundo
103.306.399 Total
76.237.886 .COM
11.675.146 .NET
6.839.968 .ORG
4.995.417 .INFO
1.975.480 .BIZ

FONTE: http://www.parana-online.com.br/noticias/indexphp?op=ver&id=350471&caderno=4

Thursday, April 17, 2008

Miami Herald: Latin America scores badly in Internet ranking

BY ANDRES OPPENHEIMER
Latin America's biggest problem may not be Venezuela's narcissist-Leninist leader Hugo Chávez nor other populists who are grabbing the headlines, but the region's stagnation in the global race for greater Internet connectivity and knowledge-based economic growth.
Indeed, a new world ranking released by the World Economic Forum shows that Mexico, Brazil, Argentina and several other Latin American countries are gradually losing ground in Internet ''network readiness.'' Meantime, Middle Eastern, Asian and Eastern European nations are modernizing much more rapidly, it says.
Why should anybody interested in Latin America's future lose sleep over this? Authors of the study, entitled Global Information Technology Report, say that Internet readiness is the key to long-term growth. Just like countries in the past needed roads and bridges to ship their exports abroad, today they also need good Internet infrastructure to be more competitive in the global economy, they say.
''Information technology is today's general-purpose technology,'' Irene Mia, co-author of the report, told me in a telephone interview. ``It's the infrastructure for all other industries.''
The report, a massive study of 127 countries, not only measures nations' Internet access but also the government regulations, bureaucracy and the business climate that allow them to be technologically competitive.
Denmark, Sweden, Switzerland, the United States and Singapore, in that order, topped the ranking. Denmark and Sweden were at the head of the list last year, while Switzerland and the United States have moved up several places over the past year.
LOSING GROUND7
Most Latin American countries, by comparison, have lost ground in the past year:
• Chile, the top-ranked country in the region, fell from the 31st place last year to the 34th this year.
• Mexico went down from the 49th to 58th.
• Brazil dropped from 53rd to 59th place.
• Argentina suffered one of the region's biggest falls, going from the 63rd to 77th.
• Colombia fell from 64th to 69th.
• Peru fell from the 78th to 84th.
• Venezuela dropped from 83rd to 86th.
What is causing Latin America's decline?
The report's authors said it's not so much that the region has stopped investing in Internet infrastructure, education and innovation, but that other regions are doing it much faster.
South Korea, for instance, is already ranked ninth in the world, and Estonia (20th), Slovenia (30th), Qatar (32nd) and Lithuania (33rd) are all ranked above Chile and the rest of Latin America.
Soumitra Dutta, co-author of the report, told me in a separate interview that Latin American countries may pay a high cost if they don't modernize their information technology sector, especially regarding the government bureaucracy and business hurdles that keep the sector from growing faster.
'Five years ago, when I used to come to Brazil and Mexico to talk about Indian information technology success stories, people said, `interesting, but not relevant,' '' Dutta said. ``Today, Indian information technology companies are taking business away from local players in Latin America.''
India's Tata Consulting firm, for instance, recently won major government contracts in Mexico City, Brazil and Chile. Latin American companies will continue losing contracts at home and abroad if they don't become more competitive, he said.
WRONG ASSUMPTION
My opinion: Latin America's failure to move up in the ranking may be partly due to the region's commodity export bonanza, which has led many countries to complacency. There is a tacit assumption in parts of the region that the current record world prices of oil, soybeans and other raw materials will last forever. They won't.
And even if they do, raw material exports will not save Latin America. It may be no coincidence that Singapore, South Korea, Taiwan, Israel, Luxembourg and several 8
other countries at the top of the information technology index have no raw materials and yet have much higher standards of living than natural resources-rich Latin American nations.
The real threat to Latin America's future -- much more than Chávez and his fellow demagogues in Ecuador, Bolivia, and Nicaragua -- is its own failure to invest in education, science and technology. We're living in a knowledge-based economy, yet many countries in the region have not yet noticed.

Thursday, April 10, 2008

Concessionárias devem levar banda larga a todos os municípios até 2010

Anatel - 07/04/2008 - [ gif ]
Assunto: Inclusão Digital

O Plano Geral de Metas para a Universalização (PGMU) do Serviço
Telefônico Fixo Comutado (STFC) sofreu revisão que estabelece a
substituição dos Postos de Serviços de Telecomunicações (PSTs) urbanos
por "backhaul" (infra-estrutura de rede de serviços de
telecomunicações). Com a alteração, as concessionárias de telefônia
fixa deverão, até dezembro de 2010, levar a rede de banda larga até a
sede de todos os municípios brasileiros.

O Decreto n.º 6.424, que altera o PGMU, estabelece que 40% dos
municípios sejam atendidos até dezembro de 2008; 80%, até dezembro de
2009; e 100%, até dezembro de 2010. A velocidade da banda larga para
municípios com até 20 mil habitantes deverá ser de, no mínimo de 8
Mpbs; entre 20 mil e 40 mil, no mínimo 16 Mbps; entre 40 mil e 60 mil,
no mínimo 32 Mbps; e acima de 60 mil, no mínimo 64Mbps.

As concessionárias de telefonia fixa - Oi, Brasil Telecom, Telefônica,
CTBC e Sercomtel - deveriam levar os PSTs (quatro orelhões e quatro
terminais que permitem acesso à internet pela telefonia fixa) a todos
os municípios brasileiros até o final de 2011. A obrigação para a
instalação dos postos em áreas rurais foi mantida, mas com novas
regras e prazos. O decreto estabelece que, a partir de 1º de julho, as
concessionárias devem ativar, em até 120 dias da solicitação do
representante legal de cooperativa, um PST para atender a cada Unidade
de Atendimento a Cooperativa situada em área rural.

O serviço de telefonia fixa está presente em todos os 5.564 municípios
brasileiros, mas apenas 2.125 possuem estrutura de banda larga. Entre
as concessionárias do serviço fixo, apenas CTBC e Sercomtel
disponibilizam banda larga em toda sua área de atuação. A Oi atende
265 dos seus municípios e terá de construir a estrutura em 2.730
cidades. A Brasil Telecom deverá levar a estrutura a 452 cidades, já
que hoje disponibiliza a banda larga em 1.406. E a Telefônica deverá
complementar a rede de banda larga em 257 cidades, já que chega em
365.

Brazilian StatementGAC-Board joint session – New Delhi (12 Feb' 2008)

"Mr. Chairman,
As we are in an open session, please allow me at first to publiclyacknowledge the work of our Indian colleagues, in particular from theMinistry of Communications and Information Technology, in hosting this31st ICANN meeting. This event and the on-going preparations for theIII Internet Governance Forum, to be held also here, later this year,show the strong belief and interest of the Indian nation in supportingthe process of internationalization of the Internet.
"Internationalization" is the word that best defines the momentum. Notonly from the technical perspective of introducing non-ASCIIcharacters at the top level of the Domain Name System, but also fromthe political perspective of preparing grounds for a transition of theICANN management structure to a truly international environment. Theseissues seem to bear no apparent relationship, but in the end thequestion that needs to be answered is, in short, "how will theaddition of the next billion Internet users affect present governancestructures? And how should such structures be reshaped to respond tothe building of inclusive, reliable and democratic governanceprocesses on a truly multistakeholder setting?"
The Government of Brazil is fully committed to theinternationalization process of ICANN and its independence from anysingle Government. To that end, the non-renewal of the JPA in 2009 isa requirement. Its termination should be seen, however, as an initialstep of a long-term process aiming at providing worldwide userscontinuous assurances of integrity, stability and reliability of theInternet. Moreover, any new governance structure should be designed tofacilitate the expansion and diffusion of the web as a means tosupport development and digital inclusion, by empowering people andcommunities, taking into account cultural diversity andmultilingualism.
We consider that the principles and decisions adopted at the WorldSummit of Information Society must serve as the inspiration to anenlightened leadership by the Board in the conduct of this process.
In the transition phase, we should aim at striking a carefullybalanced participation of all stakeholders in ICANN decision-makingprocesses. Governments, the civil society, the private sector,intergovernmental and international organizations should pledge tounderstand each other's roles and responsibilities, according to theterms agreed at WSIS. If the new scenario is perceived as allowing aclear predominance of one stakeholder over the others, the legitimacyand credibility of the whole transition will be compromised. As far asGovernments are concerned, for instance, the international managementof the Internet should allow Governments to coordinate themselves todefine public policy issues, which is their sovereign right. For thispurpose, there is an urgent need to strengthen the GAC, in terms ofits role, representation and methods of work. My Delegation considersthis, Mr. Chairman, a key element to be included in the road map forthe transition period, and better sooner than later.
Thank you."

Wednesday, April 9, 2008

Publicado no Observatório do Direito à Comunicação

Governo troca banda larga nas escolas por política de inclusão digital
mais ampla
Gustavo Gindre, especial para o Observatório do Direito à Comunicação
09.04.2008

No dia 7 de abril foi publicado no Diário Oficial da União o Decreto
Presidencial 6424 que determina uma mudança nos contratos de concessão
com as operadoras do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC):
Telefonica, Oi e Brasil Telecom.

Os contratos, assinados em 2005, obrigavam que as empresas instalassem
Postos de Serviço Telefônico (PSTs) em cada cidade brasileira. Menos
de três anos depois, chegou-se à conclusão que aquelas obrigações
estavam erradas e o próprio governo sugeriu a mudança, sem contudo,
assumir publicamente o equívoco cometido em 2005.

Pelas novas regras, acordadas com as operadoras, estas deixam de estar
obrigadas a instalar os PSTs (exceto no caso de cooperativas rurais),
mas passam a ter que colocar seus backhauls em todas as sedes
municipais brasileiras.

Se a banda larga pudesse ser comparada com árvores, os backbones que
as operadoras possuem seriam os troncos, o backhaul os galhos e cada
cidade brasileira uma folha. Sem o backhaul, não é possível levar a
seiva que vem do tronco para cada folha. Ou seja, o backhaul interliga
o backbone da operadora às cidades. No Brasil, mais de 2000 municípios
não têm backhaul e, portanto, não podem se conectar à banda larga.

A proposta do governo é digna de mérito, porque, no século XXI, é
muito mais importante garantir a universalização da banda larga do que
do telefone fixo. Contudo, este adendo aos contratos de 2005 ainda
apresenta problemas. São pelo menos dois.

As velocidades mínimas exigidas para cada backhaul são muito baixas.
Por exemplo, uma imaginária cidade com 70.000 habitantes teria,
segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em
torno de 20.000 residências, mas contaria com um backhaul de apenas 64
Mbps. Ou seja, se apenas 1.000 casas tiverem dinheiro para contratar o
serviço de banda larga oferecido pela tele, ainda haveriam 19.000
excluídas e a velocidade máxima disponível para cada residência
conectada à suposta banda larga seria de apenas 64 Kbps, ou igual
àquela obtida por uma linha telefônica comum.

E não há a obrigação para que a operadora faça unbundling em seu
backhaul. Por detrás desse palavrório técnico, tal obrigação significa
que a operadora teria que vender parte da capacidade instalada do seu
backhaul a qualquer provedor interessado em competir com a própria
tele. E a preços não discriminatórios, regulados pela Agência Nacional
de Telecomunicações (Anatel). Essa seria a única forma de estimular a
concorrência. Da forma como ficou, o Decreto permite que os backhauls
sejam usados exclusivamente pelos próprios serviços de banda larga das
operadoras (BrTurbo, Velox e Speedy), matando qualquer possibilidade
de concorrência local.

Mas, principalmente, a falta do unbundling dificulta em muito o
surgimento de experiências de redes comunitárias, organizadas pelas
prefeituras e/ou pela sociedade civil, usando tecnologias sem fio, e
que levam a Internet gratuíta à prédios públicos (como bibliotecas e
telecentros), mas também às próprias casas, o que já fazem Sud Minucci
(SP) e Duas Barras (RJ).

Em resumo, ainda que amplie o alcance da banda larga, o Decreto
Presidencial 6424 está longe de garantir a tão sonhada inclusão
digital de nossa população e tem como efeito colateral o
aprofundamento do monopólio regional exercido por cada tele em sua
área de concessão.

O acordo subterrâneo

A mudança dos contratos de concessão teve que contar com a
concordância das teles. Caso contrário, ficaria valendo a obrigação
inicial dos PSTs. Para convencer as teles, um estudo da Anatel
comprovou que o custo de instalação dos backhauls nos municípios que
ainda não o possuem seria o mesmo da instalação dos PSTs. Seria trocar
seis por meia dúzia, sem onerar o caixa destas empresas. E é óbvio que
as teles perceberam, também, que a futura prestação de serviços de
banda larga lhes trará muito mais receita do que a administração de
postos telefônicos.

Tudo certo, eis que surge um novo elemento. Além da troca dos PSTs
pelos backhauls, o governo negociou um segundo acordo com as teles,
que prevê a instalação de conexão de 1 Mbps em cada uma das 56 mil
escolas públicas urbanas brasileiras, sem custos para os governos
(federal, estaduais e municipais) pelo menos até 2025 (quando vencem
os atuais contratos de concessão). Até 2010 todas essas escolas
deverão estar com a conexão funcionando.

Se as teles brigaram tanto para ter certeza que a obrigação dos
backhauls não lhes custaria nada a mais do que a antiga obrigação dos
PSTs, se não queriam desembolsar nada além do que fora previsto
inicialmente, por que aceitaram tão prontamente este novo acordo, que
foi anunciado no dia 8 de abril pelo prsidente Lula? Nada as obrigava
a este novo acordo. Por que concordaram? Puro patriotismo?

Coincidência ou não, ao mesmo tempo em que começacam as negociações em
torno deste segundo acordo, saía de cena o debate no interior do
governo sobre o "backbone estatal". Essa proposta consistia em dois
movimentos. Primeiro, unificar a gestão dos cerca de 40 mil Km de
fibra óptica que o governo federal já possui, seja através das
estatais ou da massa falida da Eletronet. Em segundo lugar, construir
sua própria rede de backhaul, levando a conexão deste backbone estatal
a cada município brasileiro. Com isso, o governo estaria em condições
de ofertar às cidades (prefeituras e/ou sociedade civil) a
possibilidade de construirem redes locais que posteriormente seriam
conectadas à infra-estrutura do governo federal. Sem fins lucrativos,
este backbone estatal poderia cobrar das cidades apenas o necessário
para se manter e crescer (o que é bem menos do que cobram atualmente
as teles). De inicío, já seria possível prever que as prefeituras e
governos estaduais poderiam usar os serviços de telefonia por IP desta
rede, deixando de ser usuárias das operadoras privadas. Uma economia
de muitos milhões para os cofres públicos. Mas, também seria possível
construir redes comunitárias, que levassem Internet banda larga,
telefonia por IP, webrádio, IPTV e muito mais para todas as
comunidades hoje excluídas das estratégias de mercado das teles. Uma
ligação local, feita de um telefone conectado a esta rede comunitária
para outro igualmente conectado teria preço igual a zero!

Mas, o acordo subterrâneo com as teles foi além. Não bastava apenas
garantir que o governo abriria mão de usar sua própria infra-estrutura
para fazer inclusão digital. As teles também ganharam o direito de
explorar sozinhas a rede que irão construir para chegarem até as
escolas. Essa rede passará na porta de milhares de residência e
obviamente as teles a usarão para vender seus serviços de banda larga.
A proposta do governo não obriga a que as teles tenham que partilhar
essa rede com os provedores locais (o tal unbundling).

Com backhauls e redes de "última milha" para uso exclusivo, as teles
acabaram de ganhar o monopólio da banda larga em todo o país.

Se tudo isso for mais do que uma simples coincidência, quando o
presidente da República inaugurar a primeira escola conectada em banda
larga através deste segundo acordo com as operadoras, o que pouca
gente saberá é que esse evento festivo também será o funeral de uma
idéia muito mais inclusiva. Por esta linha de raciocínio, o governo
negociou a instalação da banda larga nas escolas em troca do abandono
da idéia de um backbone estatal e da morte dos pequenos provedores
locais.

Para as teles, as 56 mil escolas conectadas ainda saíram barato...

** Gustavo Gindre é pesquisador em políticas de comunicação, membro
eleito do Comitê Gestor da Internet no Brasil e membro do Intervozes -
Coletivo Brasil de Comunicação Social.